Entrevista a Jared Taylor

Jared Taylor

Pode dizer-nos quando e porque é que a American Renaissance (AR) foi fundada, e qual a história subsequente da revista?

Eu iniciei a AR em 1990 por motivos que muitos considerariam radicais ou mesmo perigosos: encorajar os brancos a pensar nos seus interesses explicitamente em termos raciais, a reconhecer que todas as outras raças dos Estados Unidos o fazem instintivamente e a compreender que se nós falharmos em agir como um grupo, colocamos em causa, a longo prazo, a nossa sobrevivência como um povo distinto, com uma cultura e modo de vida distintos.

Escusado será dizer que esta mensagem não é bem recebida pelo establishment . Contudo, os americanos comuns cada vez mais se apercebem da crise que o nosso país enfrenta.

A AR é publicada mensalmente há cerca de 14 anos, e o número de leitores continua a crescer. Há cinco anos atrás, começamos a distribuir uma versão electrónica da AR através da Internet, e isto contribuiu para o grande aumento de leitores fora dos EUA.

A minha associação à revista resultou numa certa notoriedade e em várias aparições na rádio e na televisão. Creio que a força lógica e moral da posição da AR está a ganhar reconhecimento apesar da intensa hostilidade a qualquer forma de consciência racial por parte dos brancos.

Pode sintetizar aquilo que você e a AR acreditam?

Eu penso que a ideologia da AR é o realismo e a clareza: realismo no sentido de que a raça é o elemento definidor central da identidade individual e grupal e que, por isso, não pode ser ignorado; clareza porque não pode haver duplos critérios em assuntos raciais e étnicos. Um conjunto de medidas políticas deriva destas posições. Uma avaliação realista da raça conduz à conclusão de que raça e cultura são inseparáveis. Alguns indivíduos conseguem abraçar completamente a cultura estabelecida por um povo de uma raça diferente, mas a maioria não.

É por isto que a raça é a linha divisória social mais significativa em qualquer país e porque os actuais dramas da «tolerância», «multiculturalismo», «inclusão», etc., têm quase sempre que ver com a raça.

Os Estados Unidos são um bom exemplo do significado de raça. Brancos de muitos países foram largamente assimilados – com fricções residuais – por uma cultura anglo-saxónica maioritária, mas os não-brancos não.

A Europa está agora a passar pelo mesmo processo, com país atrás de país a descobrir que quando não-brancos chegam em grande número, eles congregam enclaves não-assimiláveis. Isto levanta a questão da clareza. É repetidamente dito aos brancos que devem fazer todos os esforços para acomodar os alienígenas recém-chegados e até que, se necessário, vejam as suas nações serem redefinidas caso a imigração não-branca assim o exija. É dito aos brancos que se devem preparar psicologicamente para se tornarem uma minoria em relação aos não-brancos, e apesar de isto conduzir a uma desaparição das culturas e nacionalidades que amamos, qualquer um que resista ao despojo é considerado um inferior moral.

Imagine o processo inverso, de brancos a entrarem sem controlo no México ou no Paquistão, impondo os seus costumes aos naturais e até a exigir um tratamento especial porque são minorias reclamando o «dom da diversidade». Imagine os líderes mexicanos ou paquistaneses dizendo aos seus povos que a substituição demográfica é uma coisa boa, e que os novos idiomas, religiões, folclores e taxas de crime, embora possam parecer alienígenas, se tratam na realidade de preciosas fontes de enriquecimento.

É este avanço unidireccional de não-brancos para os territórios dos brancos que faz com que a actual dinâmica migratória seja inaceitável e perigosa para nós.

O que é que a New Century Foundation faz mais, além de publicar a AR todos os meses?

Nós organizamos uma conferência internacional bianual sobre raça e imigração e publicamos um pequeno número de monografias e livros. Além disso, também mantemos uma página na Internet muito activa, em http://amren.com .

Qual é o seu background familiar e político?

Sou filho de missionários no Japão, aonde passei os primeiros 16 da minha vida. Os meus pais eram liberais convencionais, e eu também o fui até cerca dos 30 anos de idade.

O que é que inicialmente o guiou para o interesse pelas diferenças raciais e a imigração? Que académicos, escritores ou filósofos o inspiraram?

Eu passei um ano a viajar na África Ocidental, aonde descobri que as minhas crenças liberais de igualdade das raças e culturas estavam erradas. Passei também dois anos a estudar história e economia em Paris, e gradualmente fui chegando à conclusão que os princípios básicos do liberalismo – que o governo pode melhorar as nossas vidas, que os factores ambientais são muito mais determinantes que os genéticos, que todos os grupos têm o mesmo potencial, que homens e mulheres têm naturezas iguais – são errados.

Fui muito influenciado pelos trabalhos de James Burnham, Arthur Jensen e Wilmot Robertson, mas as conversas tidas ao longo dos anos com outras pessoas racialmente conscientes provavelmente influenciaram-me mais.

Considera que as ideias da hereditariedade estão agora a tornar-se mais aceitáveis?

Sim. O livro Blank Slate de Steven Pinker é um bom exemplo disso. A evidência da influência dos genes é agora tão grande que até os liberais não a podem mais ignorar. Este livro é, porém, uma tentativa quase cómica de um liberal reconciliar o poder da hereditariedade com as posições liberais que são fatalmente minadas por aquele.

Suspeito que a convicção de Watson-Skinner de que o ambiente controla tudo se desmoronou primeiramente em relação às diferenças entre os sexos. Muita gente percebe agora que a falha dos liberais e das feministas em eliminar as diferenças sexuais só pode significar que existe uma base biológica que as explique. Mas é mais difícil para as pessoas aceitarem a mesma ordem de ideias para explicar os diferentes níveis de êxito social dos diferentes grupos raciais, mas isso acabará por acontecer.

Que tipo de medidas devem ser adoptadas para resolver ou, pelo menos, mitigar alguns dos actuais problemas raciais da América?

Eu tenho sempre recomendado apenas duas medidas: o fim da imigração de massas e a abolição das leis anti-discriminação. A população dos Estados Unidos está a crescer ao ritmo da de um país do terceiro mundo, em boa medida por causa da imigração. 90% dos imigrantes são minorias inassimiláveis que trazem divisão e tensão. O aumento populacional vai também forçar o ambiente e as infra-estruturas. Havia 125 milhões de americanos em 1945 e ninguém considerava que o país estava subpovoado. Hoje somos cerca de 290 milhões de habitantes, prevendo-se 500 milhões para o ano de 2070. Pôr um fim à imigração iria parar este crescimento louco.

Quanto às leis anti-discriminação, os cidadãos devem ter o direito de escolher os seus empregados, companheiros de escola ou vizinhos, seja por bons motivos, maus motivos, ou por motivo algum – da mesma maneira como escolhemos as nossas esposas.

A AR tem sido denunciada como um «grupo de ódio» pela organização de extrema-esquerda Southern Poverty Law Center. Mas qual é a atitude dos conservadores americanos – não apenas em relação à AR especificamente, mas também relativamente às diferenças raciais em geral?

Não creio que seja possível dar uma resposta totalmente esclarecedora. Mesmo dentro dos conservadores (infelizmente um termo à procura de significado) há muita resistência a uma percepção realista da raça. Se eles tivessem a certeza que as suas palavras jamais iriam ser repetidas, julgo que talvez 50% das pessoas que votam no Partido Republicano reconheceriam as diferenças raciais ou, importunadas pelo pensamento, as aceitariam como uma possibilidade. Deste número, apenas uma mão cheia tem vontade de tomar uma posição pública sobre raça substancialmente diferente da dos democratas.

Houve alguma mudança discernível nas atitudes dos conservadores americanos em relação à raça nas décadas recentes? O que causou essa mudança?

«Décadas recentes» é uma formulação muito estreita. Se ela inclui a década de 50, a National Review era muito sensível à questão racial. As suas posições diferiam pouco das da American Renaissance de hoje. Durante os anos 60, 70 e 80, houve uma retirada massiva do senso comum. Desde essa altura tem havido uma recuperação muito lenta. O dogma igualitário reina a América, tal como reina a Inglaterra, e as vozes dissidentes são ainda consideradas perigosas e desagradáveis.

A ciência genética moderna complementa o pensamento tradicional conservador ou religioso acerca da natureza humana? Se sim, como?

Ambos conservadores tradicionais e biólogos evolucionistas concordam no seguinte: Homens e mulheres diferem no temperamento e na aptidão. As pessoas nascem com características distintas e não facilmente cambiáveis pela sociedade. A raça e as diferenças raciais são reais. As pessoas são tribais, e dificilmente têm um sentimento de lealdade para com a humanidade em geral.

Mais fundamentalmente, ambos os lados concordam que existe algo que é a natureza humana, e que é uma idiotice tentar refazer o homem. Uma aceitação desta premissa teria evitado não apenas a calamidade do comunismo mas virtualmente cada um dos projectos liberais desde a Revolução Francesa. Horror atrás de horror foi cometido em nome do aperfeiçoamento do homem. Os conservadores – e agora os estudantes da genética – aceitam que muitas das nossas falhas não podem ser corrigidas e que as sociedades que aceitam estas falhas são, de longe, melhor sucedidas do que aquelas que as tentam extirpar.

O egoísmo é um bom exemplo disso mesmo. O capitalismo reconhece que o interesse próprio é o mais poderoso motor do progresso económico. O colectivismo falha porque pretende que o interesse próprio seja ultrapassado. Um dia haverá uma semelhante aceitação da natureza tribal do homem, e os governos deixarão de achar virtuoso forçar os cidadãos a viver com pessoas inteiramente diferentes de si.

Além da política, que outros interesses cultiva?

Tenho dois grandes interesses: a minha família e a música. Ser pai tem sido mais recompensador para mim do que qualquer outra coisa – e eu pensava que ia ser um grande aborrecimento. A população europeia está em declínio em parte porque os europeus são egocêntricos e pensam que as crianças vêm trazer demasiados problemas. Nem que mais não fosse pela nossa sobrevivência, devemos novamente promover a visão de que os filhos são a maior recompensa que se pode ter na vida. Posso não ter acreditado nisso até que eu tive os meus próprios filhos, mas trata-se realmente da verdade.

Quanto à música, toco clarinete numa orquestra sinfónica e num quinteto de instrumentos de sopro e saxofone numa banda de baile. Fazer música é, para mim, um prazer que limpa a mente de tudo o resto. Está reportado que os músicos vivem mais tempo do que os não músicos. A ser verdade, é porque com certeza este imenso prazer mental tem benefícios físicos.

Right Now, Agosto/Setembro 2004
Tradução para o português: Filipe Batista e Silva

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